São 7 da manhã algures na
Linha. Estou à espera dele no parque de estacionamento. O Mercedes preto pára
ao lado do meu carro, e cumprimentamo-nos com um aperto de mão.
O trato passa rapidamente
da terceira pessoa para um caloroso “tu-cá-tu-lá”, enquanto lhe relato o spot onde vamos entrar (nunca aqui
esteve), e as condições do mar.
Vamos trocando impressões
sobre generalidades enquanto aquecemos na praia e entro à frente dele a remar para
o outside, não demasiado rápido para
não o deixar ficar para trás – há toda uma etiqueta aqui em jogo. No pico,
quase sozinhos a esta hora, a primeira onda é minha para demonstração, mas as
próximas são dele. Etiqueta.
Meia hora de sessão e
começa o que realmente interessa: negócios.
Discutimos oportunidades
futuras e projectos actuais das empresas onde trabalhamos, orçamentos e recursos
humanos, tudo entre várias braçadas e algumas ondas. O ambiente é bem-disposto,
informal, e ali no meio do mar que ninguém nos ouve, estamos abertos a uma
conversa franca e produtiva.
Uma hora chega para o
serviço, o resto são simpatias, dicas de outros spots surfáveis, viagens que um
e outro fizeram, ondas que já apanhámos. Até à data, destas reuniões já tive
duas. E muitas vezes reencontramo-nos no lineup.
Com a geração de 70 e 80 a começar a chegar às Direcções de várias empresas,
cada vez mais uma surfada é uma óptima desculpa para uma reunião informal.
Saímos da água já próximo
das 9h, troca de roupa rápida (e o útil chuveiro na praia para limpar o sal da
fronha) e depois de desajeitadamente darmos os nós nas gravatas no reflexo baço
do vidro do carro, apertamos as mãos: Negócio Fechado.
Na política europeia
muitos apontavam o dedo à Finlândia pela chamada “diplomacia de sauna”,
negócios entre homens, à porta fechada, em reuniões pós-laborais nas saunas das
grandes empresas onde os melhores negócios eram definidos, e o mesmo é
sobejamente conhecido do meio golfista.
Pois bem, parece-me que
Portugal começou a dar os primeiros passos do que poderá vir a ser a Diplomacia
do Surf.
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