quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Soneto Surfista

Publicado na Surf Portugal de Julho de 2014 - artigo vencedor da Rubrica "A Voz da Tribo"

As alvas ondas no pico rebentando
Bafejadas pelo Alísio, moderado.
Luminoso céu de nuvens despojado
Em ceruleas paredes as espumas vão rolando.

Justo fato todo o corpo cingindo;
Niveas tábuas com wax bem aplicado;
O leash no tornozelo apertado;
E as esbeltas quilhas rebrilhando:

A ponto a praia está de aliciar-nos.
Só falta que tu queiras, meu amigo
Com tuas radicais manobras espantar-nos.

Se entramos, ou caia chuva, ou brame o vento
Não pode o fero Neptuno intimidar-nos,
Antes tudo será contentamento.

Inspirado no poema do séc. XVIII de António Correia Garção