Publicado na Surf Portugal de Outubro de 2011 - artigo vencedor da Rubrica "A Voz da Tribo"
Amsterdam, 13 de Setembro de 2011
Desde que comecei a surfar há três anos nunca tinha comprado uma revista de surf. Incomoda-me sempre a grandeza - para mim inatingível - com que os pros nos bombardeiam nas fotos que preenchem inúmeras páginas das publicações da especialidade.
Contudo, em Março passado, dei por mim num novo emprego, onde viajar pela Europa é uma constante. E lá estava eu, com um bilhete de avião para o norte da Suécia no bolso, arrancado de um fim-de-semana em Sagres qual surf interruptus pelo dever que permite sustentar o meu vicio mais saudável, especado a olhar para a banca das revistas do Terminal 1 do Aeroporto da Portela.
Percorri indeciso as prateleiras, agarrei na Surf Portugal e levei-a comigo. Folheei-a no avião - sempre aquelas manobras - até à escala em Estocolmo: 5ºC a chover, e a começar a achar que devia ter ficado de molho noutros sítios mais Atlânticos... Mais umas horas depois e chegava a Luleå, a 3600km de casa e a dar metro e meio de neve! Com uma semana de trabalho pela frente, bem longe de qualquer pico surfável. E pensei para com os meus botões: Bela merda...
Mas contudo, todas as noites, na mesa de cabeceira do meu quarto de Hotel, lá estavam as fotos, luminosas, quentes, a prometerem-me esquerdas perfeitas com água a 25ºC (que fossem os 15ºC de Carcavelos, não importa, quando estão -20ºC na rua estás por tudo). Um bocadinho de casa que ajuda a lembrar o que te espera dentro de uns dias, uma janela para a tua segunda vida.
Desde então não tenho falhado uma. Tornou-se um ritual: Surf Portugal na banca da Portela, avião, e onde quer que esteja - Helsinki, Barcelona, Bruxelas - at the end of the day, sei que tenho um pedaço de casa sempre à mão.
Manuel Nina
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